| | História
e Património da Costa da Prata
Geografia e Temporalidade Humana

Localizada a poucos quilómetros da grande
Lisboa, a Região de Turismo do Oeste representa um conjunto de onze
Municípios situados entre o Oceano Atlântico e o maciço que se
estende para Norte, a partir de Montejunto.
A poente, toda uma linha de costa, com esse singular mar
oestino, vigoroso e refrescante, morrendo nas extensas praias,
vigiadas pelo sentido maternal da Berlenga.
No interior, onde se estabelece um clima ameno, a Natureza foi
generosa em montes e vales. O vento acariciador vindo do Atlântico
move dezenas de círculos, e, lesto, percorre a extensão verde e
fulgurante dos vinhedos.
As cidades e vilas marcam o tempo, o esplendor da História, e o
casario branco das aldeias salpicam a paisagem carregada de tons
verdes.
Terra de mar, um conjunto soberbo que extasia o visitante e o leva a
interiorizar o gosto pela Natureza.
Uma comunidade unida pelo mesmo horizonte de pertença, à Região.
Uma só Identidade, embora diversificada pela singularidade de cada
um dos onze Municípios, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral,
Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche, Rio Maior,
Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.
O homem, aqui tem um sinal evidente da sua temporalidade profunda. O
oestino transporta em si traços comuns perdidos pelas misturas
ancestrais que se foram efectivando entre os povos do norte, os
turduli, de origem celta, e os fenícios, vindos do Sul, e, mais
tarde, romanos e árabes.
No cruzamento destas vivências se cultivou e solidificou uma tradição
de permanente convívio com outros povos, garantindo, hoje, a
modernidade e a hospitalidade que são, agora, práticas quotidianas
das gentes oestinas.
A presença humana na Região Oeste vem desde épocas muito remotas.
Testemunhos disso são as estações arqueológicas da Furninha, em
Peniche, da Gruta Nova da Columbeira, perto do Bombarral, estas do
Paleolítico Médio, e, ainda, vários vestígios na área de Rio
Maior, como Cabeço de Porto Marinho, Vascas, Arruda dos Pisões e
outros que remontam ao Paleolítico Superior. Do Calcolítico,
ficou-nos, na área de Torres Vedras, entre outros, o importante
habitat do Zambujal, castro revelador de uma presença humana de
desenvolvimento superior, e os tholos do Barro e do Cabeço da
Arruda, e, perto do Cadaval, o habitat de Pragança. Da presença
romana algumas marcas, nomeadamente, o forno de cerâmica, em
Peniche, que vem provar uma considerável actividade industrial
naquela antiga Ilha, e, sobretudo, a civitas de Eburobritium, junto
da vila de Óbidos.
História e Património Cultural
 
Na Região Oeste muito é o património
edificado, semelhante à grandeza da História das suas gentes. Estações
arqueológicas, castros proto-históricas, ou povoados romanos,
convivem com castelos árabes, igrejas e mosteiros medievais,
fortalezas quinhentistas, solares dos séculos XVII e XVIII, ou, até,
bons exemplares de arquitectura Arte Nova.
Castelos, Conventos e Igrejas
A ocupação árabe da Região está bem
comprovada por numerosas edificações de que são excelentes
exemplos os Castelos de Alenquer, Torres Vedras, e Óbidos, este
considerado uma preciosidade arquitectónica.
Os Conventos da Graça, em Torres Vedras, de S. Francisco, em
Alenquer, e Stº António, no Varatojo (aqui permanece, ainda hoje,
uma comunidade franciscana), e considerável número de Igrejas e
outras edificações, reportam-nos à época medieval e à certeza
de um apreciável povoamento na Região. Típico desse período histórico,
são as Igrejas de S. Leonardo, em Atouguia da Baleia, a Matriz da
Lourinhã, de S. João da Ribeira, nas cercanias de Rio Maior, o sítio
e ruínas da Igreja do Salvador do Mundo, no Sobral de Monte Agraço,
e, ainda, o Paço Real da Serra d’El Rei, a ermida de Nª. Srª
das Neves, na Serra de Montejunto, o Touril de Atouguia da Baleia, a
Torre dos Lafetat, no Bombarral, ou o Centro Histórico de Óbidos.
Estilos Manuelinos, Renascença, Barroco

Os estilos Manuelino, Renascença e Barroco estão
bem representados na Região, nomeadamente no património religioso.
Há inúmeros exemplos, como a Igreja Matriz de Arruda dos Vinhos, a
Igreja Nª. Srª do Pópulo, em Caldas da Rainha, a Igreja da
Misericórdia da Lourinhã, ou a Igreja de S. Quintino, no Sobral de
Monte Agraço.
Todavia, os referidos estilos estão, também, representadas na
arquitectura civil. Entre outros, mencionam-se o Palácio dos Gorjões
no Bombarral, o Fontanário de Arruda dos Vinhos, o Aqueduto das Águas
Livres de Óbidos, os Faróis do Cabo de Carvoeiro e Duque de Bragança,
na Berlenga, o Chafariz dos Canos, em Torres Vedras, o antigo Lar
dos Veteranos Militares de Runa, o Fontanário das Cinco Bicas, o Paço
Real e o Hospital Termal, nas Caldas da Rainha.
Azulejaria

A Região Oeste possui um valioso património de
azulejaria, em grande parte oriundo dos séculos XVII e XVIII, que
decoram muitas Igrejas e edifícios. Pode ser particularizado, pela
sua importância, o magnifico conjunto de templos de Peniche, onde
as Igrejas de Nª. Srª da Ajuda, Nª. Srª da Conceição, Misericórdia,
e Nª. Srª dos remédios constituem um admirável repositório de
azulejos setencistas.
De referir, também, os painéis do Convento da Graça,
em Torres Vedras, os da Ermida de Nª. Srª do Socorro, do Bombarral,
da Igreja de S. Sebastião, na Serra d?El Rei, e, em Óbidos, os da
Igreja de Santa Maria e da Ermida da Srª da Piedade.
Deve-se referenciar, ainda, os sugestivos azulejos
das Estações de Caminho-de-ferro de Óbidos, Caldas da Rainha, e
Bombarral, cujos motivos representam cenas do quotidiano rural do
principio do século XX ou os da Igreja de S. Quintino (Sobral de
Monte Agraço)
Pintura

Na área da pintura, o Oeste tem uma
significativa oferta artística, podendo-se apreciar, em numerosos
locais, os mais diversos autores. Destaque para Josefa d’Óbidos,
pintora seiscentista cujas obras podem ser observadas em algumas
Igrejas da Região, como na Igreja de Santa Maria de Óbidos e na
Misericórdia de Peniche. Acrescente-se os maravilhosos painéis da
Escola de Gregório Lopes, e o painel representando S. João em Pátmos,
obra do chamado Mestre da Lourinhã, existente na Igreja da Misericórdia
dessa Vila.
Arquitectura Militar

A arquitectura militar existente no Oeste reflecte
bem a importância estratégica que esta Região sempre teve no
contexto Nacional.
Para além dos Castros e Castelos, já atrás mencionados, assumem
natural relevância, pela grandiosidade de construção e importância
que tiveram para a defesa da integridade Nacional, as fortalezas de
defesa costeira de Paimogo, de S. João Baptista, na Ilha da
Berlenga, e a importante fortaleza de Peniche (todas do século
XVII). Mais recentes são as fortificações das Linhas de Torres, a
defesa de Lisboa, aquando das Invasões Francesas, das quais se
destaca, pelo seu bom estado de conservação, o Forte de S. Vicente.
Arte Nova
Um apreciável conjunto de três dezenas de edifícios, Arte Nova,
pode ser observado nas Caldas da Rainha.
São óptimos exemplares deste estilo dos princípios do Século
XX, que fazem parte integrante do Centro Histórico daquela cidade.
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